Muitas vezes no cotidiano usamos de eufemismos para nos referir a uma idéia. Dizemos desvio de verbas públicas, desvio de conduta e comportamento inconstitucional, quando na realidade o que existe no Brasil é roubo, corrupção e diversos outros crimes. Ao referir-se a esse assunto é quase unanimidade falar que o poder corrompe e que são os criminosos de colarinho branco os responsáveis pelos males brasileiros. Essa não é somente uma visão simplista, como também limitada, afinal, seriam os cidadãos simplesmente a platéia desse circo que virou o país verde-amarelo? O personagem principal desse circo não é somente um. São muitos. Eles são anti-heróis, odiados por muitos, processados por alguns e condenados por muito poucos. Pelos seus feitos não-heróicos, o povo os taxa de antagonista, quando na verdade eles são novos "Macunaímas", representando o próprio cidadão brasileiro. Na verdade, os políticos e empresários por terem maior visibilidade e menor privacidade, mostram publicamente e em grande escala aquilo que ocorre em em todas as esferas sociais, desde o trânsito até o pagamento de impostos. É o reflexo do famoso jeitinho brasileiro de querer tirar vantagem de tudo.
Entretanto, uma imagem não é algo construído instantaneamente, mas decorre tempo para que a cultura adquira as características. Tudo começou com os primeiros ocupantes enviados ao Brasil que não foram os nobres portugueses, mas sim uma leva de presidiários e outras gentes de má vida. Mandaram para cá a escória da sociedade lusitana, contruindo um começo digno da história brasileira. Desse modo, o que esperar dos cinco séculos de Brasil? Desde os nobres donos de Sesmarias, até os empresários do agronegócio, perpassando pelos barões do café e a corte portuguesa, a cultura geral que predominava era a do enriquecimento sem barreiras morais. Corrupção era apenas um meio. Pelo decorrer das coisas, assim como a honestidade é exceção, a corrupção tornou-se uma regra em quase todos os setores.
De fato existem exceções, mas é incrível a incidência de corrupção no dia-a-dia. Os supermercados vendem produtos vencidos. O patrão sonega os direitos do empregado. O empregado não cumpre com as suas obrigações conforme o contrato. O comerciante sonega imposto ao Estado. O Estado não maneja acertadamente os recursos da arrecadação.A escola finge que ensina, o aluno finge que aprende, os pais fingem que não estão vendo e o Estado finge que é o seu mantenedor.O combustível tem aparência de pureza, mas não passa na análise. E, por aí vai. É um ciclo vicioso em que a desonestidade está nos mínimos e nos máximos detalhes. Como esperar políticos honestos, sendo essencialmente e diariamente desonestos?
Não há como desejar receber o que no fundo não apresentamos. A desonestidade brasileira é cultural, é um monstro que nos ronda diuturnamente. Compete a cada um participar na eliminação dessa fera que inferniza a sociedade e obstrui o progresso, tornando as instituições arcaicas e obsoletas. Não adianta cortar as cabeças da Hidra de Lerna só porque são as partes mais visíveis, afinal, no lugar delas, brotarão muitas outras. Resta-nos encontrar um pouco da sagacidade que um personagem da Mitologia teve.
Não há como desejar receber o que no fundo não apresentamos. A desonestidade brasileira é cultural, é um monstro que nos ronda diuturnamente. Compete a cada um participar na eliminação dessa fera que inferniza a sociedade e obstrui o progresso, tornando as instituições arcaicas e obsoletas. Não adianta cortar as cabeças da Hidra de Lerna só porque são as partes mais visíveis, afinal, no lugar delas, brotarão muitas outras. Resta-nos encontrar um pouco da sagacidade que um personagem da Mitologia teve.
[ texto de minha autoria. Espero que esteja bom. ^^ ]
Para muitos é mais fácil fingir ser cego, fingir que nada disso existe e tudo está bem do que aceitar a realidade. Infelizmente existem muitas pessoas desonestas e poucas honestas.
ResponderExcluirTem um selo pra vc entre os indicados no meu blog!
ResponderExcluirDá uma olhada!
bjsss